Dark Galaxy:“… apesar de que o fato dela ter me achado tão jovem assim tenha sido uma cantada que eu, pra variar, não percebi.”
Como o próprio BB informou, não sou um grande fan de comemorar aniversários, mas caso me convidem, não vejo o porquê de recusar uma festa e cerveja barata. Por causa dessa minha pré disposição a sair com as pessoas e comemorar seus aniversários, resolvi ir para um lugar completamente fora da minha costumeira noitada.
Foi avisado com algumas semanas de antecedência sobre o local e sobre o estilo de musica que iria ouvir, isso me deu tempo mais do que o suficiente para me prepara mentalmente e fisicamente para a tarefa árdua de ouvir e compartilhar musicas que não estou habituado a presenciar.
O nome do local simplesmente foi apagado de minha memória, mas ainda consigo recordar as musicas de salsa e estilos cubanos que tocavam no local.
Não me preocupei com isso, iria encontrar uma galera relativamente diferente, provavelmente divertida e iria com concerteza tomar cerveja para me distrair naquela noite ate que agradável.
Mesmo passando anos sem ir para a velha Vila Madalena, ainda lembro os caminhos que tenho que seguir para chegar as ruas interessantes, ainda mais por que estava usando o metro e precisava realmente lembrar qual a rua certa que precisava virar, caso contrario, iria me perder a noite, sozinho e em um lugar onde a iluminação não era das melhores.
Um dos grandes motivos que me orgulho é o fato de não aparentar a idade que possuo, talvez por que eu faço atividades físicas, ou talvez ate mesmo por questão genética, de qualquer forma, sempre acho muito bom quando entro em algum lugar e as pessoas nem se preocupam em perguntar minha idade. Infelizmente, isso não aconteceu nessa casa, onde na entrada, a segurança feminina insistiu em ver o meu RG e ficou falando que eu tinha 17 anos.
Apenas para não gerar duvidas, mostrei logo de cara minha carteira de motorista, apesar de que o fato dela ter me achado tão jovem assim tenha sido uma cantada que eu, pra variar, não percebi.
Entro no ambiente e logo vejo pessoas dançando, varias, com os mesmos passos e movimentos, me veio a mente imediatamente a idéia de um mundo paralelo onde as pessoas são controladas por robôs e acabam sendo reprogramadas para reagirem da mesma forma. Pensamento estranho e ao mesmo tempo engraçado, ainda mais por que estava chegando ao bar.
No caminho, sou parado por um cara querendo me cumprimentar, estranhamente ele me conhecia, mas eu simplesmente balancei a cabeça e sem ao menos falar um “Oi”, perguntei onde era o bar. Ele me apontou a direção que era justamente atrás dele e eu praticamente corri na direção do primeiro barman livre para comprar minha famigerada cerveja.
Conforme a noite foi passando, a bebida foi descendo, meu humor começou a ficar maleável e eu pude tentar ser sociável com as pessoas, afinal, festa de aniversario, com uma galera que eu praticamente nunca saio, é uma ótima oportunidade pra treinar um pouco minhas raras e mal trabalhadas habilidades sociáveis.
Com a sociabilização feita, resolvo soltar o corpo e aproveitar o fato de estar já relativamente alto e dançar um pouco, ainda mais por que o lugar era justamente pra isso.
Resolvo chegar perto do grupo que conheço e aos poucos, aquela parede imóvel começa a se mexer e a fingir que esta dançando. Caso alguém tivesse gravado ou tirado uma foto em sequencia, teria imaginado que eu era algum gringo que acabou de chegar ao Brasil e estava tentando aproveitar as férias.
Por mais que eu não tenha bom relacionamento com as minhas ex, estava tentando criar um relacionamento amigável com uma antiga pessoa, ainda mais depois de tanto tempo juntos e historia escrita, fora também que ela estava na mesma balada, conhecia também o aniversariante e todas as pessoas que eu conhecia naquele lugar, ela também conhecia, obrigando-me a ser no mínimo educado com ela.
Já que estava dançando, sendo sociável com a menina e mais pra lá do que pra ca. Resolvo cometer o erro de dançar algo que me lembra a lambada com ela.
Um estilo sensual, envolvente e que necessita que os corpos estejam juntos, praticamente grudados, se mexendo na mesma direção, caso contrario, a dança vira um desastre e apenas serve para darmos grandes risadas.
Por mais que eu não quisesse mais nada alem da amizade com a garota, a dança, varias pra ser sincero, acabou criando uma ponta de esperança em sua cabeça e como eu estava muito distraído, nem percebi que estava seduzindo de novo ela.
Para encurtar a historia, fui obrigado a discutir relações passadas com ela, a galera que estava no lugar, mas me contive para não bater no barman e muito menos explicar para ele o porquê de que eu não dei um beijo nela durante tantas as danças que estava relando no lugar.
Complicando ainda mais minha situação, tive que caminhar com um grupo de pessoas muito mais bêbadas do que eu, que andavam incrivelmente devagar para o metro consolação, sendo que o vila madalena se encontrava a poucas quadras e ainda ficar aturando a ex tentando me conquistar e perguntando o porquê eu não a queria.
Algumas pessoas, mesmo convivendo um bom tempo comigo, não conseguem compreender que uma vez eu fale não, eu realmente não volto atrás, com raras exceções e a simples insistência no assunto é um ótimo motivo para eu me irritar. Dito e feito, soltei os cachorros nela ao ponto dela se sentir tão mal que desceu logo na estação seguinte e eu fiquei com cara de malvado na historia, não que isso não tenha me deixado feliz, afinal, adoro parecer o lobo mal, mas odeio estragar uma ótima noite de diversão com discussões sobre o passado que não levam a ponto algum e sempre acabam arruinando o meu humor.