Significado: Luzes da Cidade

•17/11/2008 • 1 Comentário

Luzes da Cidade é um conto urbano escrito por um grupo de amigos onde suas vidas pessoais misturadas ao asfalto paulistano trazem uma atmosfera dura e fria.

Uma narrativa simples porém efetiva, mostrando não apenas pontos de vista sobre a cidade, mas também situações reais para a vida de muitos.

Recomendamos sériamente que a leitura seja feita sempre usando a seção de Temas e procurando o tema Luzes da Cidade, ali vai estar bem organizado cada parte da narrativa, impossibilitando que o leitor acabe se perdendo.

Novidades:

ESCRITORES — Esta sessão mostra os participantes desse blog e conta um pouco sobre eles.

Categoria Idiota,Idiota,Idiota já finalizada. Só aproveitar e ler.

Coluna Cultural — Dicas de eventos e locais na cidade de São Paulo.

Confiram! E Boa Leitura.

E aguardamos ansiosamente comentários.

Luzes da Cidade – Um novo inimigo.

•27/05/2009 • 4 Comentários

Billie Blade: “…encontrava-se o inimigo que espreitava essa quarta feira, um desprezivel fio de cabelo branco.”

Levantei como todo dia normal, saí do quarto cambaleando e tirando a roupa enquanto andava para o banheiro, lavei meu rosto na agua gelada em plena manhã de quarta feira e apreciei por um momento minha imagem no espelho, observei olheiras recem chegadas graças ao pouco sono devido ao trabalho, sorri para a barba por fazer e passei as mãos no cabelo antes de entrar no banho.

Quando passei as mãos no cabelo fiquei aterrorizado, do lado direito da minha cabeça encontrava-se o inimigo que espreitava essa quarta feira, um desprezivel fio de cabelo branco.

Me aproximei do espelho em terror, desgraçado prateado que se encontra em meus cabelos negros como a noite, e quando me aproximei para arrancar aquele maldito intruso vi os comparsas dele, alguns fios avermelhados que estavam provavelmente ali antes me avisando dos fios brancos, e uma gangue de fios prateados cercando os saúdaveis fios de cor correta.

Chutei o balcão do banheiro sem dó algum e ignorei completamente a dor no meu pé, frustrado na possibilidade de arrancar o cabelo branco entrei no banho, e logo saí arrumado do banheiro para ir trabalhar.

Na mesa do café encontrei minha namorada, que sorridente me desejava feliz aniversário e me mostrava um presente, agora com o humor melhor eu tomei o café feliz, comi um pedaço de bolo e apreciei aquele presente que eu tanto queria.

Mas não havia tempo, trabalhar é uma obrigação mesmo no dia de seu aniversário, contei a ela sobre os fios brancos, e ela riu, falou dos charmes de alguns fios de cabelo branco, acariciou meu cabelo e mandou que eu corresse para o trabalho pois o tempo estava ja apertado.

Entrei no elevador e me olhei no espelho, lembrei de uma antiga conversa com a minha mãe que dizia que o cigarro fazia nascerem cabelos brancos, sorri para o espelho, pensei, “velho de certo, porém ainda charmoso”, ri de mim mesmo enquanto saia do prédio. Lógico que o meu cigarro não teria feito essa atrocidade comigo, me contentei na desculpa da idade e atravessei a rua acendendo o meu Lucky Strike.

Chegando ao outro lado observei minha namorada na varanda, sorrindo e acenando, olhei meu caminho para o trabalho, caminho curto, acompanhado do jornal do dia, olhei no céu a chuva indo embora no exato momento que eu saia, pensei no jantar com minha familia, meus irmãos sorrindo, minha mãe feliz por ter todos mais uma vez em casa e meu pai contente com a interação e amizade dos filhos, logo acenei e joguei um beijo para ela na varanda, me virei e falei em voz baixa:

-Feliz aniversário seu velho sortudo.

Azul

•22/05/2009 • Deixe um comentário

Alice: “… Eu não tenho sentimentos”

Abri os olhos quase antes de acordar e vi aquele azul que me espreitava mais uma vez. Já tinha me acostumado a ser surpreendida por aqueles olhos que pareciam tentar ver atravéz dos meus pra encontrar os segredos que eu escondia com tanto fervor… mas confesso, me surpreendi. Eu tentava imaginar o que se escondia atrás daqueles olhos e principalmente saber o porque de tanta curiosidade sobre os meus mistérios. Ninguém nunca havia se interessado tanto em desvenda-los, em saber o que eu escondia … na verdade não me lembro de ninguem que tivesse percebido que eu escondia algo durante todos esses anos e eu era muito segura do personagem que representava … pelo menos até agora.
Aquele olhos tinham me descoberto com tanta facilidade que me assustavam e eu tinha medo de onde podiam chegar. Me perguntava como podiam saber que eu escondia algo que já nem eu sabia direito e eles continuavam me perguntando o que eu guardava a 7 chaves e por que.  Eu sempre disfarçava, sorria e repetia que o segredo era meu charme, que me deixassem assim , mas no fundo sabia que isso não os faria desistir.
Eu tinha medo, eu tenho medo, me arrepio cada vez que percebo o quanto aqueles olhos me enxergam, o quanto eles sabem sobre mim. Tento manter a pose de durona dizendo sempre: “Coração? Que coração? O que eu tenho aqui é um monolito de pedra que bombeia sangue pro resto do corpo. Eu não tenho sentimentos” mas não me espanto com a resposta “Você tem um coração sim e eu vou achar!” não duvido, me pego pensando que provavelmente vai achar mesmo e me assusto um pouco mais. O que eu temia não eram as promessas/ameaças mas sim a certeza que eu tinha de que aqueles olhos poderiam muito bem conseguir descobrir tudo o que queriam e mais um pouco.
Respirei fundo, sorri e pensei: “Que os deuses permitam que eu não me perca demais nesse azul!”

Luzes da Cidade – Vingança

•04/05/2009 • 3 Comentários

Billie Blade: “…vi aquele lindo momento, pensei na grande piada de mal gosto que existe desde a invenção do elevador…”

 

Hoje cheguei cedo ao trabalho…

Todas as maravilhas do transito de São Paulo se provaram verdadeiras, me livrei das tentações da Lei de Murphy“, na própria Av.Paulista consegui me manter na mesma pista de ponta a ponta, achei uma boa vaga para o carro e desci, feliz por ter recebido o jornal metro no meio do transito andei até o meu local de trabalho.

Sentei logo ao lado da entrada, acendi meu cigarro e abri o jornal como qualquer pessoa faria em uma manhã de segunda, enquanto isso uma galinha cheia de coisas penduradas andava em sua bota de salto fino gritando no celular de um lado para o outro.

Eu poderia ter ligado mais, mas francamente estava bastante ocupado com o meu jornal para me importar, mesmo com os gritinhos de “aiiii amiga” dela e outros eu consegui manter a paciência e fechar o jornal, nesse momento ela ja havia desligado o celular e entrado no hall, eu como sempre apaguei o cigarro e entrei para pegar o elevador.

Dentro do elevador havia eu, a galinha e uma velha, a velha desceu logo no segundo andar, enquanto isso eu me arrumava, colocava celular em um bolso, isqueiro dentro do maço de cigarro e o cigarro no bolso. Porém no exato momento em que a galinha viu o maço de cigarro ela começou a fingir uma tosse e coçou a garganta diversas vezes, como se justamente EU fosse ligar…

Logo vi aquele lindo momento, pensei na grande piada de mal gosto que existe desde a invenção do elevador, não seria este o momento perfeito? Se não fosse pela minha educação… ou pela falta de vontade de peidar… seria o momento ideal, porém não o fiz, me limitei a sorrir e torcer para ela engasgar, o que não deu certo diga-se de passagem.

Logo chegou ao andar da galinha, e no momento que a porta se abriu me deparei com 4 homens de terno fumando próximos a janela do hall do elevador, ela fez a maior cara de cú do mundo e desceu, sorri aos outros fumantes e apertei o botão de fechar as portas, na certeza de que agora outros iriam se vingar por mim.

Luzes da Cidade – Uma manhã de segunda.

•27/04/2009 • Deixe um comentário

Billie Blade: “como as pessoas não conseguem aceitar o estado que se encontra as suas vidas”

calendario1Agora estou me sentindo mais confortável, o frio começa a aparecer na terra da garoa, e esse velho apelido da cidade volta a fazer sentido. Tiro com alguma alegria os casacos do armário e me visto com roupas pesadas para ir a rua, começo de segunda-feira e semana de trabalho.

Fiquei parado próximo ao metrô Ana Rosa observando o transito, meu carro simplesmente não passava o transito mas eu não estava atrasado, acendi um cigarro e recostei no banco ignorando as músicas que tocavam, olhei pela rua pessoas desesperadas com o atraso, olhares de mau humor com a segunda-feira e estudantes indo para o Etapa próximo a estação.

Até mesmo estudantes andavam como se o mundo tivesse acabado por ser outra segunda feira, pessoas indo para o trabalho amaldiçoavam o começo da semana e enquanto isso eu pensava, porque tanto motivo para odiar um simples dia?

Completei o meu final de semana de forma boa, com sorrisos e escrevendo, ignorei o fato de ter fumado o último cigarro do maço antes de dormir para ter que ir comprar logo pela manhã, me arrumei de bom humor e pensei como vai ser boa a semana, boas noticias do trabalho, e na vida pessoal tudo andando bem, esperando hoje que o avião traga de volta a pessoa que eu tanto espero… apenas boas previsões para o dia… então porque insistem em amaldiçoar a segunda feira?

Parei o carro e fiquei pensando nas desculpas, em como as pessoas não conseguem aceitar o estado que se encontra as suas vidas, reclamam das situações mas nenhuma realmente busca a felicidade, enquanto eu estou em outra “vibe”, aproveitando a vida, buscando e encontrando a felicidade a todo o momento, com a compreensão de que a felicidade pode ser encontrada em tudo, desde um jornal e um vento amigo na hora do almoço, até uma conversa com um amigo nesse meio tempo, tudo traz felicidade.

Minha namorada com duas cervejas me esperando no quarto, poder rir com os amigos em um bar, conversar, conviver, sorrir, aproveitar… as pessoas esquecem de dar valor para esse tipo de coisas e valorizam os problemas e coisas ruins.

Eu estou feliz com minha segunda feira, que venha… andei em direção ao prédio onde trabalho pisando firme e olhando as pessoas desoladas eu pensava… “Qual a sua desculpa?”

Luzes da cidade – Triângulos Espontâneos

•22/04/2009 • 2 Comentários

Dark Galaxy: “Infelizmente eu não conhecia o álcool, já que ele hoje em dia me ajuda a passar por esse problema mais rápido. “

A primeira paixão realmente nunca se esquece, ainda mais quando é recheada de desastres, conflitos e tramas diabólicas. Simplesmente típico de minha vida, desde pequeno sempre me ferrando.
O marcante desse pequeno caso de paixão é a ausência do elixir da vida que hoje considero incrivelmente sagrado, mas naquela época, o poderoso aroma arrebatador do chocolate já povoava por completo meus mais profundos desejos.

Um dos grandes problemas de ser jovem, bobo e “romântico” é que você considera tudo muito simples, tudo muito fantástico, tudo muito colorido e feliz. Ainda bem que existem os fracassos, traumas e decepções para nos mostrar que o mundo é feito muito mais de cinza do que tentam inutilmente nos dizer as pequenas histórias contadas toda hora.

Completamente apaixonado pela guria, era capaz de elaborar os mais complexos poemas rimados que uma criança pudesse fazer, criar as mais apaixonantes cartas de amor completamente infantis que pequenos dedos desajeitados conseguissem imaginar e foi exatamente isso que eu tentei fazer.

Seguindo a linha do amor platônico de uma criança que nem sabe o que fazer, durante meses mandei-lhe cartas com juras e mais juras de amor, confidencias dos mais impressionantes. O tipo de atitude que apenas uma criança poderia fazer.

Com a minha atual memória, não consigo me lembrar se ela respondia as cartas ou não, mas isso realmente não importa, afinal, mesmo pequeno, eu realmente estava mais interessado em me expressar do que realmente saber o que ela queria.

Foram vários meses desse “lenga lenga” infantil, sendo que metade da cidade já sabia dessa situação ridícula que a criatura passava. O que não esperava era eu, com a ingenuidade e a cegueira, que ainda me perseguem, era ter conquistado o coração de uma terceira pessoa, sem ao menos nem ter tentado.

Esse triangulo amoroso infantil e bizarro era ainda mais complicado pelo fato das pessoas nessa história freqüentarem a minha casa e simplesmente todas saberem da existência desses sentimentos, menos eu, é claro.

Visto que eu sempre fui cego, surdo, mudo e burro para essas coisas, a terceira parte do triangulo resolveu que seria uma ótima idéia se enfiar na história e tentar correr atrás dos espólios da guerra.
Já que a única forma de contato real que eu me prezava a elaborar era pela forma escrita, ela achou que seria interessante elaborar também uma carta onde pudesse se expressar e tentar entrar em contato comigo. Com o detalhe que ela não usou seu nome, não colocou seus sentimentos e não queria tentar primeiramente se aproximar de mim, mas sim, me separar da pequena que me cegava, emudecia, ensurdecia e emburrecia.

Com a bela carta traiçoeira elaborada, ela soltou seu poderoso veneno em minha caixa de correios, com a esperança de conseguir no futuro me conquistar, uma vez tendo me separado da outra ponta do triangulo.

O que a pequena criatura rastejante não esperava era que uma criança, apaixonada, sem conhecimento completo do que realmente era a decepção amorosa iria reagir, e vai saber realmente se ela chegou a pensar nesse ponto.
Ao ler o pequeno texto acabando com toda e qualquer esperança que pudesse ter criado, resolvi passar pela primeira de muitas depressões amorosas. Infelizmente eu não conhecia o álcool, já que ele hoje em dia me ajuda a passar por esse problema mais rápido. Então fiz o que qualquer pessoa faz, perdi o apetite, com a diferença que pra mim isso é muito grave, já que amo comer.

Meus familiares acharam absurdo eu passar uma semana praticamente em greve de fome e resolveram descobrir o que estava acontecendo. Não demorou muito para eles desembaralharem os nós criados pelas crianças e souberam do triangulo e da destruição do mesmo.
Recuperado da crise, voltei a ser criança e ignorei por completo a existência das duas criaturas que uma vez passaram pela minha vida.
Certo tempo depois, eu reencontrei a minha pequena paixão na escola. Para a minha surpresa e espanto, ao invés do príncipe ter se tornado um sapo, a princesa é que se transformou em um dragão.

Luzes da Cidade – Fumantes Renegados

•20/04/2009 • 1 Comentário

Billie Blade: “Hipocrisia é proibir um vicio vendido em bancas de jornal e padarias com direito a nota fiscal.”

Respirei fundo…soltei ar gelado com a fumaça do cigarro e continuei andando…

Caminhando por entre as ruas de São Paulo passei por luxo, lixo, moda e retrô… essa é a cidade da luz que eu conheço, uma cidade com liberdade, onde você não possuí limites de horário para se divertir, ou ao menos era assim…

Uma cidade onde não havia preconceito, porém quando nossa maior autoridade regional o senhor prefeito resolve se voltar contra seus iguais e fechar as boates e baladas gays, nós que vivemos na noite devemos ter menos preconceito ainda, e aceitar que todas as baladas agora sejam de todos, vamos nos aglomerando, cada vez descendo mais ao submundo, todos nós, roqueiros, cults, bebados de plantão, todos nós… descendo mais ao submundo.

Não somos gays, porém há gays entre nós, não somos bebados porém há bebados entre nós, não somos cults porém há quem seja cult entre nós.  Não somos maioria nem minoria, não somos negros ou brancos, mas somos todos fumantes. Somos os renegados da sociedade, sofrendo preconceito de uma de nossas maiores autoridades, quem nos ataca é o governo… o governo do estado de São Paulo.

As vezes penso se o nosso governador seria igual ao nosso prefeito, um fumante que prejudica os fumantes quem sabe? Duvido muito, mas a grande verdade é que nos proibir de fumar em locais comuns como bares e baladas é um ultraje, ainda mais se há um pequeno toldo apenas por cima. O que houve com a antiga area de fumantes?

A hipocrisia toma conta de nossa cidade, ex-fumantes fingem tossir ao ver um cigarro aceso, pessoas que andam de carro com a janela aberta no transito e não tossem sequer uma vez para a fumaça dos veículos agora tossem para o cigarro. Hipocrisia é proibir um vicio vendido em bancas de jornal e padarias com direito a nota fiscal.

Parei em frente ao Masp sem perceber, andei esse caminho todo discutindo a avenida deserta de um feriado, fazendo um discurso inflamado para os escritórios vazios, e agora, parei em frente ao Masp.

Aqui fica o meu caminho, o local que quero estar e com quem quero estar, continuei descendo aquela rua enquanto olhava meus iguais, fumantes assustados no frio do lado de fora do bar, acenei com a cabeça para eles como um sinal, um sinal de que a vingança virá.

Imaginei fumantes gritando:Viva a revolução!Parece legal aye? Porque não?

Decidi continuar andando e parar de pensar besteiras…

Luzes da Cidade – Alice Returns

•31/03/2009 • Deixe um comentário

Alice: “…ai está um potencial homem da minha vida!”

praga-21A um sinal do DG comecei a me arrumar. Passava das 22 e eu esperava ansiosamente que eles viessem me buscar. Fazia hora no MSN tentando me distrair, há muito tempo não nos reuníamos pra uma saída assim e eu tinha muitos demônios a exorcizar.

 

 

Segundo o DG eles tinham acabado de sair da casa do BB, iam demorar bastante pra chegar aqui e eu tinha que me forçar a ter paciência por mais um pouco de tempo. Em cima da cama ela parecia me olhar e gritar meu nome e eu me pedia calma. Vestir aquela meia arrastão pra ir pra balada era um símbolo, significava que eu voltava a ser a boa e velha Alice.

  

Enquanto eu imaginava as razões de tanta demora ele apareceu como que numa tentativa do universo de me impedir de ir àquele tão falado lugar. Ele agiu como se tivesse 15 anos, quis me contar o que havia feito naquele sábado como alguém que acreditava que eu estava sem perspectivas para a noite e não pareceu contente por mim quando soube que minha noite ainda nem havia começado. A cada provocação dele eu contava um novo detalhe, ia sair apenas na companhia de homens, heteros, ia beber, ia pra balada e vestia uma meia arrastão.

O tempo passava e ele me perguntava se eu ainda sairia, que era tarde e eu havia sido deixada. Oras, meus fieis companheiros não me abandonam jamais! Num último ímpeto maldoso eu o convido a se juntar ao grupo e ele, cansado de pagar pra ver se eu iria desistir recusa e vai dormir.

Ligo pro BB e ele jura estar próximo. Visto a idolatrada meia, passo delineador, prendo o cabelo e espero rindo do absurdo de minutos atrás, ele era uma lembrança boa mas que eu pretendia deixar hoje na pista.

Meus tão esperados companheiros chegam por fim e partimos rumo ao famosíssimo Praga, templo e cenário de tantas estórias desses dois. Para minha surpresa o BB estava certíssimo, o lugar se escondia de mim tão perto de meus destinos freqüentes que eu me envergonhava de nunca te-lo visto.

Pensando bem esse era mais um truque da minha amada que escondia aquele pequeno paraíso para que eu só o encontrasse no momento certo, não posso afirmar com certeza que o amaria da mesma forma se o tivesse conhecido de outra maneira.

Adentrei o local ainda um pouco temerosa de que meu figurino não fosse adequado, olhei ao redor, notei que estava em casa. Caminhamos até o bar, pedi uma Cuba Libre, minha marca registrada. Um gole, paixão, olho para o barman que acabava de me entregar meu néctar divino e penso: ai está um potencial homem da minha vida! Mais um gole, mais uma olhada pro barman … da pista vem o som de The Gossip, a música na qual eu estava viciada e que ouvira a tarde toda. Me lembro de largar o BB falando sozinho e caminhar até a pista pra dançar o quanto fosse possível.

Cuba libre, uma paixão de 10 segundos, música, uma boa pista… eu me sentia Alice novamente e na companhia desses dois tudo parecia ter voltado ao seu lugar mesmo com o DG me oferecendo cerveja e dançando!

Luzes da Cidade – Tratamento Particular

•10/03/2009 • Deixe um comentário

Dark Galaxy:“…pediu um beijo. Eu, cavalheiro que sou, bêbado e feliz, resolvi obedecer ao comando.”

1611414-avenida_paulista_at_night-sao_pauloConsidero impressionante a capacidade das pessoas chegarem a locais completamente ensurdecedores e iniciarem uma conversa com um completo estranho, ainda mais com o intuito de beijar essa pessoa.

Infelizmente, minha capacidade limitada de socialibizacao não me permite sair conversando com estranhos em baladas que não consigo ouvir minha própria voz ou então resolver beijar um milhão de pessoas em uma única noite.

Por essa razão, nunca fui muito bom nas famosas cantadas que as pessoas usam para conseguir alguma coisa nas baladas, sempre que acabei ficando com alguém é por que conheci essa pessoa antes de ir ao lugar e no mínimo, já tinha conversado alguma coisa e já tinha gerado algum clima.

Para o meu azar, eu quase nunca tive a oportunidade de sair com um grupo relativamente grande de pessoas, obrigando-me a no mínimo tentar falar alguma coisa com alguém a algum ponto da noite na balada.

Como qualquer pessoa que não é lá muito chegada ao contato social, tomei meu liquido sagrado até chegar num nível em que ainda conseguia me entender e não precisava bater no DJ para ele abaixar a musica e eu falar com alguma pessoa.

Sabendo que o lugar que tinha entrado não iria durar muito, tratei de tomar o valor da consumação o mais rápido possível e fomos em direção a um dos lugares que eu adorava ir a noite, o bar Matrix.

Depois de alguns anos sem freqüentá-lo, soube que esse bar estava uma droga, com um publico horrível e que não valia mais a pena nem pensar direito nele, mas esse caso é de muito tempo atrás, então vale a pena relembrar da antiga casa.

Depois de sair de uma balada furada, fomos direto em direção ao Matrix, alem da bebida sempre ter sido barata naquele lugar, eu gostava por que não precisava ser revistado, algo que sempre achei uma ofensa, mas era obrigado a aceitar, já que nunca se sabe o tipo de doido que se encontra nas ruas hoje em dia.

Mesmo alto, entrei com o objetivo claro de tomar mais cerveja e foi exatamente o que fiz, pegando a longneck de Bohemia e partindo para a pista de dança. Reconheci algumas pessoas no caminho, mas não as cumprimentei, ainda mais por razão da musica estar me chamando e me obrigado a pular e começar a tentar dançar.

Enquanto ficava em meu pequeno mundo egocêntrico, fui abordado por uma garota que me falou que eu era muito bonito, mas o cérebro registrou o elogio e me mandou ignorar a fonte.

Essa pequena estava destemida e já lascou o pedido de um beijo, sem nenhuma cerimônia, nesse caso, o cérebro conseguiu focar a fonte e determinou que era necessário aceitar esse pedido. Sem pensar duas vezes, obedeci ao chamado.

Para minha surpresa, ela vira e fala que a amiga dela também queria me beijar. Fato raro que o cérebro imediatamente aceitou o pedido e refiz a mesma sequencia de comandos necessário para executar tal tarefa. O detalhe é que a outra amiga do grupo não ficou satisfeita e também pediu um beijo. Eu, cavalheiro que sou, bêbado e feliz, resolvi obedecer ao comando.

Mas o alcool estava alto e enquanto eu beijava essa menina varias vezes, vira e mexe eu batia com a longneck na cabeça dela e ficava imaginando se eu estava beijando tão bem que ela não sentia dor ou estava tão bêbada que eu poderia descer a garrafa em sua cabeça que não iria parar o que estava fazendo.

Realmente tive uma grande vontade de tentar quebrar a garrafa na cabeça dela apenas para tentar confirmar minha teoria, ainda mais por que eu acredito ter batido com essa garrafa umas 10 vezes e ela nem para reclamar quis parar, sendo que eu fui obrigado a empurrar ela algumas vezes para conseguir ir ao banheiro, sendo que sempre que voltava do mesmo, ela me puxava pelo braço e continuávamos onde tínhamos parado.

Esse fato me deixou bem curioso, já ela não conseguia me soltar, eu não ligava em ser preso e estava decididamente me divertindo.

Mantendo o padrão de historias que não acabam bem para o meu lado, resolvo tomar algum drink que continua limão. Por mais que eu tenha um estomago fraco, consigo tomar até que uma quantidade razoavelmente grande de álcool antes de passar mal, o que não posso fazer é misturar vários tipos diferentes e acima de tudo, não tomar nada que contenha limão.

Essa fruta que salvou muitas vidas na época das grandes navegações é o meu tendão de Aquiles, minha kriptonita quando o assunto é álcool e sempre que eu tomo algo com ela, tenho que imediatamente parar o consumo de álcool ou irei obrigatoriamente passar mal.

Infelizmente, eu não tinha completa noção desse meu ponto fraco e continuei a tomar cerveja. Dito e feito, o estomago rejeitou tudo que estava lá dentro. O diferente é que a menina queria, mesmo depois de eu ter vomitado, eu te-la avisado que tinha vomitado e estava mal, ela queria continuar me beijando. Nojeira a parte, se você esta no inferno, abrace o diabo.

Mais tarde eu descobri o porquê dela simplesmente não se importar tanto assim se eu estava mal e continuar comigo, ela era enfermeira, o que me fez pensar nas coisas grotescas que ela era obrigada a mexer em seu serviço e me fez pensar ainda mais por que ela simplesmente não saiu andando depois, algo que eu teria feito com incrível facilidade. Pelo menos me senti grato por ter sido cuidada por uma profissional, mesmo meu cérebro adorando pregar peças em mim e me fazendo esquecer de perguntar o nome, telefone e qualquer outra forma de contato.

Luzes da Cidade – Flechas e Cerveja.

•04/03/2009 • Deixe um comentário

Billie Blade:”porque certamente quem nos conhece crê que somos capacitados socialmente para carregar armas”

atgaaaayyfjs1nd-p7tw0jlnm9zb80k_wkgizugakbegdoxjerbduopmuqvqrzi7st-cd5fw8slsrxodizt8fjt3gg_gajtu9valumd7jus-9akrvn4g51wqctdtmw1Nada melhor do que fazer uma viagem, sair de São Paulo sexta feira em pleno horário do Rush e pegar as estradas lotadas, ter que dirigir com a companhia do DG que apenas ronca na estrada do inicio ao fim.. parece uma idéia idiota.

Então o que fazer numa situação dessas? Afinal faremos o que fazemos sempre!  CERVEJA!

Saímos portanto, eu e o DG, sem rumo nenhum, morrendo de fome, com as malas prontas para viajar no porta malas, dirigindo por entre as baladas nada parecia interessar, quando finalmente pensamos em um dos locais mais velhos e passados da boa e velha Sampa, o Bar e Arquearia Willy Willy!

Sabemos que era uma idéia péssima, ainda mais indo viajar, mas porque não, pagamos uma fortuna sem motivo para entrar e descobrimos a vantagem do “bar-balada” cerveja de garrafa! Logo cada um tinha uma Brahma na mão e tomavamos como se fosse com canudos, era dia de viajar, que se ferrem as pessoas em volta!

Vamos subir para conferir a banda, logo na escada lotada acendi um cigarro, maldita nova cultura anti-tabagista, cada cigarro que acendo é como se tivesse cometido um crime horrível, as pessoas olham e desviam do seu caminho, pffff elas que são idiotas, eu subi a escada contente fumando.

Aos gritos de “toca mal mas toca alto” e as variações como “toca mal mais toca rapido” recebemos a banda, recebemos olhares feios também das centenas de pirralhos que estavam ali como um dia eu estive, e velho é a mãe diga-se de passagem.

Então vejamos, Rock´n Roll dos anos 70 mal tocado… pirralhos implorando por cerveja, o Willy continua sendo o mesmo bar de séculos atrás, então… se é o mesmo bar de séculos atras….

Olhei para o DG que no momento também tinha os olhos brilhando, ambos bebados e desencanados, tivemos uma das melhores visões de toda aquela noite… arcos e flechas…

Sim, porque certamente quem nos conhece crê que somos capacitados socialmente para carregar armas… AHÃ! Corremos e marcamos nossa reserva na lousa, pedimos mais quatro garrafas de cerveja e partimos pra fila de espera.

E que fila de espera…. passou-se mais de uma hora nessa brincadeira, quando finalmente eramos os próximos.

Fiquei de pé, pulando empolgado e atrapalhando a menina que estava atirando na vez dela, ambos rindo e pulando querendo atirar em algo, enquanto isso eu que cheguei a fazer aulas de arco explicava para o DG algumas das manhas.

Então aconteceu… a menina que eu estava atrapalhando começou a pedir dicas, a oportunidade perfeita para ser um Don Juan! Era a última flecha dela, e acertei a posição do braço que puxava a corda, ensinei até onde devia-se puxar, corrigi a posição da cintura dela e a mão esquerda de apoio ao arco, ajustei a mira e…

E assim que ela atirou tiramos ela do caminho e fomos atirar que nem duas crianças com brinquedo novo, tirei o arco da mão dela mesmo e rosnei quando ela veio agradecer.

Duas crianças grandes, se divertindo atirando para depois ir para o carro gritar as musicas que tocavam no carro pela estrada e encher o saco pra todo caminhão que passa buzinar.

Luzes da Cidade – Habilidades Sociais

•27/02/2009 • Deixe um comentário

Dark Galaxy:“… apesar de que o fato dela ter me achado tão jovem assim tenha sido uma cantada que eu, pra variar, não percebi.”

chuva_tiete_ae_pComo o próprio BB informou, não sou um grande fan de comemorar aniversários, mas caso me convidem, não vejo o porquê de recusar uma festa e cerveja barata. Por causa dessa minha pré disposição a sair com as pessoas e comemorar seus aniversários, resolvi ir para um lugar completamente fora da minha costumeira noitada.

Foi avisado com algumas semanas de antecedência sobre o local e sobre o estilo de musica que iria ouvir, isso me deu tempo mais do que o suficiente para me prepara mentalmente e fisicamente para a tarefa árdua de ouvir e compartilhar musicas que não estou habituado a presenciar.

O nome do local simplesmente foi apagado de minha memória, mas ainda consigo recordar as musicas de salsa e estilos cubanos que tocavam no local.

Não me preocupei com isso, iria encontrar uma galera relativamente diferente, provavelmente divertida e iria com concerteza tomar cerveja para me distrair naquela noite ate que agradável.

Mesmo passando anos sem ir para a velha Vila Madalena, ainda lembro os caminhos que tenho que seguir para chegar as ruas interessantes, ainda mais por que estava usando o metro e precisava realmente lembrar qual a rua certa que precisava virar, caso contrario, iria me perder a noite, sozinho e em um lugar onde a iluminação não era das melhores.

Um dos grandes motivos que me orgulho é o fato de não aparentar a idade que possuo, talvez por que eu faço atividades físicas, ou talvez ate mesmo por questão genética, de qualquer forma, sempre acho muito bom quando entro em algum lugar e as pessoas nem se preocupam em perguntar minha idade. Infelizmente, isso não aconteceu nessa casa, onde na entrada, a segurança feminina insistiu em ver o meu RG e ficou falando que eu tinha 17 anos.

Apenas para não gerar duvidas, mostrei logo de cara minha carteira de motorista, apesar de que o fato dela ter me achado tão jovem assim tenha sido uma cantada que eu, pra variar, não percebi.

Entro no ambiente e logo vejo pessoas dançando, varias, com os mesmos passos e movimentos, me veio a mente imediatamente a idéia de um mundo paralelo onde as pessoas são controladas por robôs e acabam sendo reprogramadas para reagirem da mesma forma. Pensamento estranho e ao mesmo tempo engraçado, ainda mais por que estava chegando ao bar.

No caminho, sou parado por um cara querendo me cumprimentar, estranhamente ele me conhecia, mas eu simplesmente balancei a cabeça e sem ao menos falar um “Oi”, perguntei onde era o bar. Ele me apontou a direção que era justamente atrás dele e eu praticamente corri na direção do primeiro barman livre para comprar minha famigerada cerveja.

Conforme a noite foi passando, a bebida foi descendo, meu humor começou a ficar maleável e eu pude tentar ser sociável com as pessoas, afinal, festa de aniversario, com uma galera que eu praticamente nunca saio, é uma ótima oportunidade pra treinar um pouco minhas raras e mal trabalhadas habilidades sociáveis.

Com a sociabilização feita, resolvo soltar o corpo e aproveitar o fato de estar já relativamente alto e dançar um pouco, ainda mais por que o lugar era justamente pra isso.

Resolvo chegar perto do grupo que conheço e aos poucos, aquela parede imóvel começa a se mexer e a fingir que esta dançando. Caso alguém tivesse gravado ou tirado uma foto em sequencia, teria imaginado que eu era algum gringo que acabou de chegar ao Brasil e estava tentando aproveitar as férias.

Por mais que eu não tenha bom relacionamento com as minhas ex, estava tentando criar um relacionamento amigável com uma antiga pessoa, ainda mais depois de tanto tempo juntos e historia escrita, fora também que ela estava na mesma balada, conhecia também o aniversariante e todas as pessoas que eu conhecia naquele lugar, ela também conhecia, obrigando-me a ser no mínimo educado com ela.

Já que estava dançando, sendo sociável com a menina e mais pra lá do que pra ca. Resolvo cometer o erro de dançar algo que me lembra a lambada com ela.

Um estilo sensual, envolvente e que necessita que os corpos estejam juntos, praticamente grudados, se mexendo na mesma direção, caso contrario, a dança vira um desastre e apenas serve para darmos grandes risadas.

Por mais que eu não quisesse mais nada alem da amizade com a garota, a dança, varias pra ser sincero, acabou criando uma ponta de esperança em sua cabeça e como eu estava muito distraído, nem percebi que estava seduzindo de novo ela.

Para encurtar a historia, fui obrigado a discutir relações passadas com ela, a galera que estava no lugar, mas me contive para não bater no barman e muito menos explicar para ele o porquê de que eu não dei um beijo nela durante tantas as danças que estava relando no lugar.

Complicando ainda mais minha situação, tive que caminhar com um grupo de pessoas muito mais bêbadas do que eu, que andavam incrivelmente devagar para o metro consolação, sendo que o vila madalena se encontrava a poucas quadras e ainda ficar aturando a ex tentando me conquistar e perguntando o porquê eu não a queria.

Algumas pessoas, mesmo convivendo um bom tempo comigo, não conseguem compreender que uma vez eu fale não, eu realmente não volto atrás, com raras exceções e a simples insistência no assunto é um ótimo motivo para eu me irritar. Dito e feito, soltei os cachorros nela ao ponto dela se sentir tão mal que desceu logo na estação seguinte e eu fiquei com cara de malvado na historia, não que isso não tenha me deixado feliz, afinal, adoro parecer o lobo mal, mas odeio estragar uma ótima noite de diversão com discussões sobre o passado que não levam a ponto algum e sempre acabam arruinando o meu humor.