Significado: Luzes da Cidade

•17/11/2008 • 1 Comentário

Luzes da Cidade é um conto urbano escrito por um grupo de amigos onde suas vidas pessoais misturadas ao asfalto paulistano trazem uma atmosfera dura e fria.

Uma narrativa simples porém efetiva, mostrando não apenas pontos de vista sobre a cidade, mas também situações reais para a vida de muitos.

Recomendamos sériamente que a leitura seja feita sempre usando a seção de Temas e procurando o tema Luzes da Cidade, ali vai estar bem organizado cada parte da narrativa, impossibilitando que o leitor acabe se perdendo.

Novidades:

ESCRITORES — Esta sessão mostra os participantes desse blog e conta um pouco sobre eles.

Categoria Idiota,Idiota,Idiota já finalizada. Só aproveitar e ler.

Coluna Cultural — Dicas de eventos e locais na cidade de São Paulo.

Confiram! E Boa Leitura.

E aguardamos ansiosamente comentários.

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Luzes da Cidade – Um novo inimigo.

•27/05/2009 • 4 Comentários

Billie Blade: “…encontrava-se o inimigo que espreitava essa quarta feira, um desprezivel fio de cabelo branco.”

Levantei como todo dia normal, saí do quarto cambaleando e tirando a roupa enquanto andava para o banheiro, lavei meu rosto na agua gelada em plena manhã de quarta feira e apreciei por um momento minha imagem no espelho, observei olheiras recem chegadas graças ao pouco sono devido ao trabalho, sorri para a barba por fazer e passei as mãos no cabelo antes de entrar no banho.

Quando passei as mãos no cabelo fiquei aterrorizado, do lado direito da minha cabeça encontrava-se o inimigo que espreitava essa quarta feira, um desprezivel fio de cabelo branco.

Me aproximei do espelho em terror, desgraçado prateado que se encontra em meus cabelos negros como a noite, e quando me aproximei para arrancar aquele maldito intruso vi os comparsas dele, alguns fios avermelhados que estavam provavelmente ali antes me avisando dos fios brancos, e uma gangue de fios prateados cercando os saúdaveis fios de cor correta.

Chutei o balcão do banheiro sem dó algum e ignorei completamente a dor no meu pé, frustrado na possibilidade de arrancar o cabelo branco entrei no banho, e logo saí arrumado do banheiro para ir trabalhar.

Na mesa do café encontrei minha namorada, que sorridente me desejava feliz aniversário e me mostrava um presente, agora com o humor melhor eu tomei o café feliz, comi um pedaço de bolo e apreciei aquele presente que eu tanto queria.

Mas não havia tempo, trabalhar é uma obrigação mesmo no dia de seu aniversário, contei a ela sobre os fios brancos, e ela riu, falou dos charmes de alguns fios de cabelo branco, acariciou meu cabelo e mandou que eu corresse para o trabalho pois o tempo estava ja apertado.

Entrei no elevador e me olhei no espelho, lembrei de uma antiga conversa com a minha mãe que dizia que o cigarro fazia nascerem cabelos brancos, sorri para o espelho, pensei, “velho de certo, porém ainda charmoso”, ri de mim mesmo enquanto saia do prédio. Lógico que o meu cigarro não teria feito essa atrocidade comigo, me contentei na desculpa da idade e atravessei a rua acendendo o meu Lucky Strike.

Chegando ao outro lado observei minha namorada na varanda, sorrindo e acenando, olhei meu caminho para o trabalho, caminho curto, acompanhado do jornal do dia, olhei no céu a chuva indo embora no exato momento que eu saia, pensei no jantar com minha familia, meus irmãos sorrindo, minha mãe feliz por ter todos mais uma vez em casa e meu pai contente com a interação e amizade dos filhos, logo acenei e joguei um beijo para ela na varanda, me virei e falei em voz baixa:

-Feliz aniversário seu velho sortudo.

Azul

•22/05/2009 • Deixe um comentário

Alice: “… Eu não tenho sentimentos”

Abri os olhos quase antes de acordar e vi aquele azul que me espreitava mais uma vez. Já tinha me acostumado a ser surpreendida por aqueles olhos que pareciam tentar ver atravéz dos meus pra encontrar os segredos que eu escondia com tanto fervor… mas confesso, me surpreendi. Eu tentava imaginar o que se escondia atrás daqueles olhos e principalmente saber o porque de tanta curiosidade sobre os meus mistérios. Ninguém nunca havia se interessado tanto em desvenda-los, em saber o que eu escondia … na verdade não me lembro de ninguem que tivesse percebido que eu escondia algo durante todos esses anos e eu era muito segura do personagem que representava … pelo menos até agora.
Aquele olhos tinham me descoberto com tanta facilidade que me assustavam e eu tinha medo de onde podiam chegar. Me perguntava como podiam saber que eu escondia algo que já nem eu sabia direito e eles continuavam me perguntando o que eu guardava a 7 chaves e por que.  Eu sempre disfarçava, sorria e repetia que o segredo era meu charme, que me deixassem assim , mas no fundo sabia que isso não os faria desistir.
Eu tinha medo, eu tenho medo, me arrepio cada vez que percebo o quanto aqueles olhos me enxergam, o quanto eles sabem sobre mim. Tento manter a pose de durona dizendo sempre: “Coração? Que coração? O que eu tenho aqui é um monolito de pedra que bombeia sangue pro resto do corpo. Eu não tenho sentimentos” mas não me espanto com a resposta “Você tem um coração sim e eu vou achar!” não duvido, me pego pensando que provavelmente vai achar mesmo e me assusto um pouco mais. O que eu temia não eram as promessas/ameaças mas sim a certeza que eu tinha de que aqueles olhos poderiam muito bem conseguir descobrir tudo o que queriam e mais um pouco.
Respirei fundo, sorri e pensei: “Que os deuses permitam que eu não me perca demais nesse azul!”

Luzes da Cidade – Vingança

•04/05/2009 • 3 Comentários

Billie Blade: “…vi aquele lindo momento, pensei na grande piada de mal gosto que existe desde a invenção do elevador…”

 

Hoje cheguei cedo ao trabalho…

Todas as maravilhas do transito de São Paulo se provaram verdadeiras, me livrei das tentações da Lei de Murphy“, na própria Av.Paulista consegui me manter na mesma pista de ponta a ponta, achei uma boa vaga para o carro e desci, feliz por ter recebido o jornal metro no meio do transito andei até o meu local de trabalho.

Sentei logo ao lado da entrada, acendi meu cigarro e abri o jornal como qualquer pessoa faria em uma manhã de segunda, enquanto isso uma galinha cheia de coisas penduradas andava em sua bota de salto fino gritando no celular de um lado para o outro.

Eu poderia ter ligado mais, mas francamente estava bastante ocupado com o meu jornal para me importar, mesmo com os gritinhos de “aiiii amiga” dela e outros eu consegui manter a paciência e fechar o jornal, nesse momento ela ja havia desligado o celular e entrado no hall, eu como sempre apaguei o cigarro e entrei para pegar o elevador.

Dentro do elevador havia eu, a galinha e uma velha, a velha desceu logo no segundo andar, enquanto isso eu me arrumava, colocava celular em um bolso, isqueiro dentro do maço de cigarro e o cigarro no bolso. Porém no exato momento em que a galinha viu o maço de cigarro ela começou a fingir uma tosse e coçou a garganta diversas vezes, como se justamente EU fosse ligar…

Logo vi aquele lindo momento, pensei na grande piada de mal gosto que existe desde a invenção do elevador, não seria este o momento perfeito? Se não fosse pela minha educação… ou pela falta de vontade de peidar… seria o momento ideal, porém não o fiz, me limitei a sorrir e torcer para ela engasgar, o que não deu certo diga-se de passagem.

Logo chegou ao andar da galinha, e no momento que a porta se abriu me deparei com 4 homens de terno fumando próximos a janela do hall do elevador, ela fez a maior cara de cú do mundo e desceu, sorri aos outros fumantes e apertei o botão de fechar as portas, na certeza de que agora outros iriam se vingar por mim.

Luzes da Cidade – Uma manhã de segunda.

•27/04/2009 • Deixe um comentário

Billie Blade: “como as pessoas não conseguem aceitar o estado que se encontra as suas vidas”

calendario1Agora estou me sentindo mais confortável, o frio começa a aparecer na terra da garoa, e esse velho apelido da cidade volta a fazer sentido. Tiro com alguma alegria os casacos do armário e me visto com roupas pesadas para ir a rua, começo de segunda-feira e semana de trabalho.

Fiquei parado próximo ao metrô Ana Rosa observando o transito, meu carro simplesmente não passava o transito mas eu não estava atrasado, acendi um cigarro e recostei no banco ignorando as músicas que tocavam, olhei pela rua pessoas desesperadas com o atraso, olhares de mau humor com a segunda-feira e estudantes indo para o Etapa próximo a estação.

Até mesmo estudantes andavam como se o mundo tivesse acabado por ser outra segunda feira, pessoas indo para o trabalho amaldiçoavam o começo da semana e enquanto isso eu pensava, porque tanto motivo para odiar um simples dia?

Completei o meu final de semana de forma boa, com sorrisos e escrevendo, ignorei o fato de ter fumado o último cigarro do maço antes de dormir para ter que ir comprar logo pela manhã, me arrumei de bom humor e pensei como vai ser boa a semana, boas noticias do trabalho, e na vida pessoal tudo andando bem, esperando hoje que o avião traga de volta a pessoa que eu tanto espero… apenas boas previsões para o dia… então porque insistem em amaldiçoar a segunda feira?

Parei o carro e fiquei pensando nas desculpas, em como as pessoas não conseguem aceitar o estado que se encontra as suas vidas, reclamam das situações mas nenhuma realmente busca a felicidade, enquanto eu estou em outra “vibe”, aproveitando a vida, buscando e encontrando a felicidade a todo o momento, com a compreensão de que a felicidade pode ser encontrada em tudo, desde um jornal e um vento amigo na hora do almoço, até uma conversa com um amigo nesse meio tempo, tudo traz felicidade.

Minha namorada com duas cervejas me esperando no quarto, poder rir com os amigos em um bar, conversar, conviver, sorrir, aproveitar… as pessoas esquecem de dar valor para esse tipo de coisas e valorizam os problemas e coisas ruins.

Eu estou feliz com minha segunda feira, que venha… andei em direção ao prédio onde trabalho pisando firme e olhando as pessoas desoladas eu pensava… “Qual a sua desculpa?”

Luzes da cidade – Triângulos Espontâneos

•22/04/2009 • 3 Comentários

Dark Galaxy: “Infelizmente eu não conhecia o álcool, já que ele hoje em dia me ajuda a passar por esse problema mais rápido. “

A primeira paixão realmente nunca se esquece, ainda mais quando é recheada de desastres, conflitos e tramas diabólicas. Simplesmente típico de minha vida, desde pequeno sempre me ferrando.
O marcante desse pequeno caso de paixão é a ausência do elixir da vida que hoje considero incrivelmente sagrado, mas naquela época, o poderoso aroma arrebatador do chocolate já povoava por completo meus mais profundos desejos.

Um dos grandes problemas de ser jovem, bobo e “romântico” é que você considera tudo muito simples, tudo muito fantástico, tudo muito colorido e feliz. Ainda bem que existem os fracassos, traumas e decepções para nos mostrar que o mundo é feito muito mais de cinza do que tentam inutilmente nos dizer as pequenas histórias contadas toda hora.

Completamente apaixonado pela guria, era capaz de elaborar os mais complexos poemas rimados que uma criança pudesse fazer, criar as mais apaixonantes cartas de amor completamente infantis que pequenos dedos desajeitados conseguissem imaginar e foi exatamente isso que eu tentei fazer.

Seguindo a linha do amor platônico de uma criança que nem sabe o que fazer, durante meses mandei-lhe cartas com juras e mais juras de amor, confidencias dos mais impressionantes. O tipo de atitude que apenas uma criança poderia fazer.

Com a minha atual memória, não consigo me lembrar se ela respondia as cartas ou não, mas isso realmente não importa, afinal, mesmo pequeno, eu realmente estava mais interessado em me expressar do que realmente saber o que ela queria.

Foram vários meses desse “lenga lenga” infantil, sendo que metade da cidade já sabia dessa situação ridícula que a criatura passava. O que não esperava era eu, com a ingenuidade e a cegueira, que ainda me perseguem, era ter conquistado o coração de uma terceira pessoa, sem ao menos nem ter tentado.

Esse triangulo amoroso infantil e bizarro era ainda mais complicado pelo fato das pessoas nessa história freqüentarem a minha casa e simplesmente todas saberem da existência desses sentimentos, menos eu, é claro.

Visto que eu sempre fui cego, surdo, mudo e burro para essas coisas, a terceira parte do triangulo resolveu que seria uma ótima idéia se enfiar na história e tentar correr atrás dos espólios da guerra.
Já que a única forma de contato real que eu me prezava a elaborar era pela forma escrita, ela achou que seria interessante elaborar também uma carta onde pudesse se expressar e tentar entrar em contato comigo. Com o detalhe que ela não usou seu nome, não colocou seus sentimentos e não queria tentar primeiramente se aproximar de mim, mas sim, me separar da pequena que me cegava, emudecia, ensurdecia e emburrecia.

Com a bela carta traiçoeira elaborada, ela soltou seu poderoso veneno em minha caixa de correios, com a esperança de conseguir no futuro me conquistar, uma vez tendo me separado da outra ponta do triangulo.

O que a pequena criatura rastejante não esperava era que uma criança, apaixonada, sem conhecimento completo do que realmente era a decepção amorosa iria reagir, e vai saber realmente se ela chegou a pensar nesse ponto.
Ao ler o pequeno texto acabando com toda e qualquer esperança que pudesse ter criado, resolvi passar pela primeira de muitas depressões amorosas. Infelizmente eu não conhecia o álcool, já que ele hoje em dia me ajuda a passar por esse problema mais rápido. Então fiz o que qualquer pessoa faz, perdi o apetite, com a diferença que pra mim isso é muito grave, já que amo comer.

Meus familiares acharam absurdo eu passar uma semana praticamente em greve de fome e resolveram descobrir o que estava acontecendo. Não demorou muito para eles desembaralharem os nós criados pelas crianças e souberam do triangulo e da destruição do mesmo.
Recuperado da crise, voltei a ser criança e ignorei por completo a existência das duas criaturas que uma vez passaram pela minha vida.
Certo tempo depois, eu reencontrei a minha pequena paixão na escola. Para a minha surpresa e espanto, ao invés do príncipe ter se tornado um sapo, a princesa é que se transformou em um dragão.

Luzes da Cidade – Fumantes Renegados

•20/04/2009 • 1 Comentário

Billie Blade: “Hipocrisia é proibir um vicio vendido em bancas de jornal e padarias com direito a nota fiscal.”

Respirei fundo…soltei ar gelado com a fumaça do cigarro e continuei andando…

Caminhando por entre as ruas de São Paulo passei por luxo, lixo, moda e retrô… essa é a cidade da luz que eu conheço, uma cidade com liberdade, onde você não possuí limites de horário para se divertir, ou ao menos era assim…

Uma cidade onde não havia preconceito, porém quando nossa maior autoridade regional o senhor prefeito resolve se voltar contra seus iguais e fechar as boates e baladas gays, nós que vivemos na noite devemos ter menos preconceito ainda, e aceitar que todas as baladas agora sejam de todos, vamos nos aglomerando, cada vez descendo mais ao submundo, todos nós, roqueiros, cults, bebados de plantão, todos nós… descendo mais ao submundo.

Não somos gays, porém há gays entre nós, não somos bebados porém há bebados entre nós, não somos cults porém há quem seja cult entre nós.  Não somos maioria nem minoria, não somos negros ou brancos, mas somos todos fumantes. Somos os renegados da sociedade, sofrendo preconceito de uma de nossas maiores autoridades, quem nos ataca é o governo… o governo do estado de São Paulo.

As vezes penso se o nosso governador seria igual ao nosso prefeito, um fumante que prejudica os fumantes quem sabe? Duvido muito, mas a grande verdade é que nos proibir de fumar em locais comuns como bares e baladas é um ultraje, ainda mais se há um pequeno toldo apenas por cima. O que houve com a antiga area de fumantes?

A hipocrisia toma conta de nossa cidade, ex-fumantes fingem tossir ao ver um cigarro aceso, pessoas que andam de carro com a janela aberta no transito e não tossem sequer uma vez para a fumaça dos veículos agora tossem para o cigarro. Hipocrisia é proibir um vicio vendido em bancas de jornal e padarias com direito a nota fiscal.

Parei em frente ao Masp sem perceber, andei esse caminho todo discutindo a avenida deserta de um feriado, fazendo um discurso inflamado para os escritórios vazios, e agora, parei em frente ao Masp.

Aqui fica o meu caminho, o local que quero estar e com quem quero estar, continuei descendo aquela rua enquanto olhava meus iguais, fumantes assustados no frio do lado de fora do bar, acenei com a cabeça para eles como um sinal, um sinal de que a vingança virá.

Imaginei fumantes gritando:Viva a revolução!Parece legal aye? Porque não?

Decidi continuar andando e parar de pensar besteiras…

Luzes da Cidade – Alice Returns

•31/03/2009 • Deixe um comentário

Alice: “…ai está um potencial homem da minha vida!”

praga-21A um sinal do DG comecei a me arrumar. Passava das 22 e eu esperava ansiosamente que eles viessem me buscar. Fazia hora no MSN tentando me distrair, há muito tempo não nos reuníamos pra uma saída assim e eu tinha muitos demônios a exorcizar.

 

 

Segundo o DG eles tinham acabado de sair da casa do BB, iam demorar bastante pra chegar aqui e eu tinha que me forçar a ter paciência por mais um pouco de tempo. Em cima da cama ela parecia me olhar e gritar meu nome e eu me pedia calma. Vestir aquela meia arrastão pra ir pra balada era um símbolo, significava que eu voltava a ser a boa e velha Alice.

  

Enquanto eu imaginava as razões de tanta demora ele apareceu como que numa tentativa do universo de me impedir de ir àquele tão falado lugar. Ele agiu como se tivesse 15 anos, quis me contar o que havia feito naquele sábado como alguém que acreditava que eu estava sem perspectivas para a noite e não pareceu contente por mim quando soube que minha noite ainda nem havia começado. A cada provocação dele eu contava um novo detalhe, ia sair apenas na companhia de homens, heteros, ia beber, ia pra balada e vestia uma meia arrastão.

O tempo passava e ele me perguntava se eu ainda sairia, que era tarde e eu havia sido deixada. Oras, meus fieis companheiros não me abandonam jamais! Num último ímpeto maldoso eu o convido a se juntar ao grupo e ele, cansado de pagar pra ver se eu iria desistir recusa e vai dormir.

Ligo pro BB e ele jura estar próximo. Visto a idolatrada meia, passo delineador, prendo o cabelo e espero rindo do absurdo de minutos atrás, ele era uma lembrança boa mas que eu pretendia deixar hoje na pista.

Meus tão esperados companheiros chegam por fim e partimos rumo ao famosíssimo Praga, templo e cenário de tantas estórias desses dois. Para minha surpresa o BB estava certíssimo, o lugar se escondia de mim tão perto de meus destinos freqüentes que eu me envergonhava de nunca te-lo visto.

Pensando bem esse era mais um truque da minha amada que escondia aquele pequeno paraíso para que eu só o encontrasse no momento certo, não posso afirmar com certeza que o amaria da mesma forma se o tivesse conhecido de outra maneira.

Adentrei o local ainda um pouco temerosa de que meu figurino não fosse adequado, olhei ao redor, notei que estava em casa. Caminhamos até o bar, pedi uma Cuba Libre, minha marca registrada. Um gole, paixão, olho para o barman que acabava de me entregar meu néctar divino e penso: ai está um potencial homem da minha vida! Mais um gole, mais uma olhada pro barman … da pista vem o som de The Gossip, a música na qual eu estava viciada e que ouvira a tarde toda. Me lembro de largar o BB falando sozinho e caminhar até a pista pra dançar o quanto fosse possível.

Cuba libre, uma paixão de 10 segundos, música, uma boa pista… eu me sentia Alice novamente e na companhia desses dois tudo parecia ter voltado ao seu lugar mesmo com o DG me oferecendo cerveja e dançando!